Empreendedorismo Feminino e inclusão social é tema de pesquisa

Possibilitar uma nova abordagem da economia criativa, repensar a noção de empreendedorismo e estimular a criatividade e a participação social e econômica das mulheres são os objetivos de uma pesquisa de pós-doutorado. Sob supervisão de Florence Dravet, docente e coordenadora do curso de Mestrado Profissional Inovação em Comunicação e Economia Criativa da Universidade Católica de Brasília (UCB), Clarissa Motter discute, em sua pesquisa de pós-doutorado, uma proposta de gestão cultural para mulheres de uma região do Distrito Federal.

Entre 2001 e 2011, o número de mulheres empreendedoras aumentou em 21%, enquanto o de homens, apenas 9%. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e demonstram a crescente representatividade feminina na abertura de negócios. Observando este cenário, as pesquisadoras em parceria com o Imaginário Cultural – OSC cultural que atua em Samambaia lançaram uma convocatória para mulheres empreendedoras da região administrativa de Samambaia, e com isso, surgiu a ideia de formar um coletivo.

“É justamente trabalhar como uma rede de apoio para mulheres que querem empreender e estão começando os seus negócios e não sabem muito bem por onde começar ou deparam com várias dificuldades por sua condição de mulher no mercado de trabalho“, afirma Clarissa.

O Sempre Viva reúne, quinzenalmente, 15 empreendedoras e o grupo de estudo da UCB, no Complexo Cultural de Samambaia, às segundas-feiras à noite. Entre as atividades do Coletivo, estão a criação de um plano de comunicação de apoio, participação em eventos externos, promoção de oficinas e produção de uma websérie. “O que tem sido mais importante é ouvir. Ouvir e tentar perceber não só as dificuldades como as forças. Então trabalhamos nessa perspectiva de troca”, ressaltou Florence.

A pesquisa de pós-doutorado faz parte do projeto de pesquisa Inovação Social e Economia da Cultura: um piloto para desenvolvimento da economia criativa feminina, coordenado por Florence. Para ela, a partir da perspectiva acadêmica, a experiência do coletivo é fundamental para o pensar feminino, pois apesar do eventual protagonismo na ciência, as mulheres sempre estiveram sujeitas ao modo de pesquisar e produzir masculino. “O pensar feminino implica em uma relação entre ciência e sociedade mais fluida, que não separa, não encastela o pensamento dentro de um ambiente acadêmico. Pois faz pesquisa de forma coletiva, percebendo que tudo que é produzido na academia precisa ser motivado por trocas e gerar trocas com a sociedade”.

Nesse sentido, o trabalho é fundado na ótica da circularidade. “Não queremos levar nada pronto. Não somos detentoras do saber. Também estamos lá para aprender com elas. Esse diálogo permite que a gente não faça mais essa separação entre o que é da academia e o que é da sociedade. Assim, podemos dialogar de forma não hierárquica, mas horizontal”, fala Clarissa.

Por: Amanda Castro

Fotos: Bernardo Carvalho e Brenda Oliveira

Um comentário em “Empreendedorismo Feminino e inclusão social é tema de pesquisa

  1. abadia maria de oliveira Responder

    ola, sou abadia maria, artesã textil e muito me interessei pelo projeto, mas gostaria de pensar algo para comunidades quilombolas. Atuei num projeto de conclusão de especialização em processos e produtos criativos da ufg no ano de 2008 em duas comunidades quilombolas no noroeste do estado de goias, no qual dentro de 18 dias foram construidas 38 saias com retalhos, com 8 metros de roda, e em sua maioria costuradas a mão, por não dispormos de maquina de costura suficiente. era uma forma do resgate da dança sussa, uma tradição negra que tomou nova roupagem com a produção dessas saias, inclusive tivemos noticias de que diversas mulheres adquiriram maquinas de costura depois do projeto e outras aprenderam novos pontos de bordados alem do que foi ensinado. podemos conversar sobre issto?

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