Conexões digitais a serviço do aprendizado

Professores e alunos se adaptam ao cenário imposto pela pandemia

*Por Amanda Freitas

A crise sanitária que assola o mundo e desafia a medicina impôs às instituições de ensino uma nova realidade desde a edição do Decreto Nº 40.583, publicado dia 1º abril. O isolamento social imposto pelo governo do Distrito federal para tentar achatar a curva de crescimento dos casos de infecção pelo coronavírus levou alunos e professores do mestrado da UCB para o universo online.


O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) Moodle tomou lugar de destaque e se transformou no principal apoio para registro das tarefas de todos os cursos presenciais. Por meio dessa tecnologia, é possível o envio de trabalhos, atividades e fóruns entre os participantes. Plataformas digitais antes utilizadas como complementares às aulas, se transformaram no principal canal de comunicação e apoio nesse processo. Ferramentas do Google, Coogle, Kami, Padlet, Mentimeter, Kahoot, e, principalmente, Whatsapp e e-mails – que já eram bastante utilizados no vínculo entre docentes e discentes, estão sendo determinantes para a continuidade das aulas e das pesquisas diante do distanciamento social.


O professor Robson Dias, docente no mestrado em Jornalismo da UCB, conta que a adaptação ao novo cenário mundial exigiu celeridade e empenho de todas as partes. Ele, por exemplo, digitalizou todo acervo de livros e textos que levaria para as aulas e a cada semana escolhe o material que deve ser trabalhado com foco na seleção de conteúdos mais expositivos. Utilizando plataformas digitais, ele envia o material que será discutido nos encontros online. Estratégia para envolver os alunos na discussão e antecipar os temas das aulas.


Segundo o docente, os alunos do mestrado já possuem uma ampla visão da carreira, o que facilita nas discussões em grupo e na aprendizagem do conteúdo. “Os alunos entenderam os problemas e também se sentiram confusos. Mas, depois, partiram para a estabilidade do processo e refinamento das ações”, diz.


Para ele, a crise ensina que o ensino remoto não é um bicho de sete cabeças e as adaptações mostraram que a Educação Superior tem capacidade muito grande de se reinventar com a ajuda das ferramentas digitais. “Nosso mestrado não está mudando para EAD. Continua presencial. Mas, para não perdemos prazos, o MEC autorizou o curso na modalidade remota, que opera deste modo somente durante a crise. As ferramentas digitais estão aí para dar suporte ao ensino-aprendizado e não para ameaçá-lo”, ressalta.


Embora o início do isolamento tenha sido difícil, o docente Ciro Marcondes avalia que a dinâmica com seus orientandos não sofreu muitas rupturas. Com a utilização do Google Meets, Whatsapp, e-mail, chamadas de vídeo, áudio e drives, os alunos seguiram comprometidos com o conteúdo. Como professor de audiovisual, as plataformas funcionam positivamente para seguir a dinâmica da aula e para partilhar vídeos, músicas, games, etc. “Estou muito satisfeito com o resultado no mestrado”, afirma.
Já em relação ao vínculo com os alunos, Marcondes diz que há uma certa dificuldade em alguns quesitos da adaptação como por exemplo, conexão da internet, espaço adequado para estudos, eficiência nas trocas entre aluno e professor, além de aspectos psicológicos de cada um. “Sinto falta da presença física em sala, de conhecer melhor meus alunos, de ter cumplicidade. O corpo-a-corpo da sala de aula humaniza muito o processo educacional e isso é extremamente importante”, avalia.


Para ele, a crise afeta a Educação como um todo, mas os recursos virtuais permitem aprimorar novas técnicas para que o prejuízo seja minimizado. “Lições a se tirar são muitas. A maior delas é que outra crise semelhante sempre poderá estar à espreita e precisamos estar preparados para preservar a nós mesmos e as gerações futuras”, ressalta.


Alexandre Kieling, também docente no mestrado em Jornalismo, é um exemplo do esforço e da reinvenção que alguns docentes precisaram fazer nos próprios métodos. “No meu caso, que não tinha nenhuma experiência de ensino à distância, precisei passar por um processo acelerado de reciclagem”. Ele também utilizou ferramentas online e passou a fazer uma preparação prévia do conteúdo, de modo a fazer com que os estudantes aproveitassem mais profundamente os encontros remotos com trocas, construções, debates e avaliações.


Assim como os outros professores do curso, Kieling afirma que o desenvolvimento dos alunos está sendo um trabalho fácil, pois a utilização da tecnologia dos recursos à distância já era usada nas orientações. “No início havia certa preocupação. Hoje eles não têm mais dúvidas de que as coisas estão funcionando. O feedback deles é de que a gente está conseguindo desenvolver o conteúdo, as coisas estão avançando e os resultados têm sido extremamente animadores”, disse. Segundo o docente, esse momento permite que a educação passe por uma desconstrução para rever maiores possibilidades de princípios pedagógicos, de aprendizagem e reflexões.


As adaptações do curso durante a crise se tornaram um desafio não somente para os professores, mas também para os alunos. Alessandra Bastos, discente do mestrado em comunicação, observa que mesmo com a falta de tempo para uma preparação efetiva das aulas e migração para as plataformas online, houve um grande esforço do corpo docente para se conectar com os alunos da melhor forma possível. “Um esforço muito bonito de ser observado se tivermos sensibilidade para perceber. Os professores, assim como nós estudantes, estão sofrendo um processo adaptativo. Estamos todos aprendendo: estudantes, professores, coordenadores e empresários”, diz.

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